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← VoltarO Futuro da Logística no Brasil em 2026: Expectativas, Riscos e Oportunidades30 de janeiro de 2026

O Futuro da Logística no Brasil em 2026: Expectativas, Riscos e Oportunidades

O início deste ano marca um momento decisivo para o setor logístico. Diante dos impactos da reforma tributária, de um cenário econômico desafiador e de um calendário regulatório intenso, empresas de transporte, embarcadores e operadores logísticos são chamados a olhar além dos números. O desafio passa a ser compreender como o contexto macroeconômico influencia investimentos, decisões operacionais e a competitividade no curto e médio prazo.

Nesse contexto, torna-se essencial entender como esses fatores se interligam e quais serão seus reflexos práticos na operação. A capacidade de interpretar esse ambiente e antecipar mudanças será determinante para enfrentar riscos e aproveitar oportunidades.


Um cenário macroeconômico que exige cautela

 

O pano de fundo econômico deste ano prevê um crescimento moderado e incertezas fiscais. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o PIB brasileiro deve avançar 1,7% em 2026, desacelerando em relação aos 2,4% estimados para 2025, em um contexto de juros ainda elevados e restrições ao crédito. Esse cenário tende a impactar diretamente setores como transporte e logística.


Em coletiva da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a economista Tereza Fernandes, da TF Consultoria, destacou que a combinação de juros elevados, crédito mais restrito e inadimplência em patamar elevado torna mais cautelosas as decisões de investimento em transporte, renovação de frota e aquisição de veículos. Essas condições exigem planejamento financeiro mais rigoroso e alongam o tempo de retorno sobre os investimentos.


Ainda assim, o mercado nacional de frete e logística segue com perspectiva de expansão estrutural. De acordo com a Mordor Intelligence, o setor deve alcançar US$ 140,7 bilhões até 2029, com uma taxa média de crescimento anual de 4,3%, impulsionado pela demanda por eficiência operacional, integração logística e soluções tecnológicas.

 

Reforma Tributária: o maior desafio e oportunidade do ano 


A Reforma Tributária, que já teve sua implementação gradual iniciada em janeiro, representa um dos principais desafios e oportunidades para o ramo no Brasil. Diferente de ajustes pontuais, ela altera profundamente como e onde os impostos são cobrados, com efeitos diretos sobre o custo das cadeias de suprimentos.


Principais mudanças:

•          Instituição do IVA dual (IBS e CBS), conforme a Lei Complementar nº 214/2025..

•          Mudança no critério de tributação: antes a cobrança era feita na origem, e agora passa a ocorrer no destino.

•          Fim gradual dos incentivos fiscais até 2033, reduzindo a influência de benefícios regionais na localização de centros de distribuição, conforme a EC nº 132/2023 e diretrizes do Ministério da Fazenda.

•          Tributação sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia, exigindo revisão de rotas, contratos e estruturas operacionais.

•          Simulações realizadas pelo Ministério da Fazenda e estudos setoriais indicam potencial aumento da carga tributária em determinadas operações, especialmente em cadeias longas ou mais fragmentadas.


Na prática, decisões que antes eram fortemente influenciadas por incentivos fiscais passam a ser guiadas por proximidade do consumidor, custo de transporte e eficiência operacional.


Infraestrutura: onde estão as oportunidades

 

Apesar do cenário de cautela, a agenda de infraestrutura surge como um dos principais vetores de oportunidade. Dados do Ministério dos Transportes indicam a previsão de até 15 novos leilões de concessões rodoviárias ao longo do ano, posicionando o Brasil entre os maiores programas de concessões do mundo.

Esses projetos tendem a impactar diretamente a eficiência logística, com potencial de redução do custo por quilômetro rodado, melhoria da previsibilidade operacional e ampliação da cobertura regional, especialmente em corredores estratégicos de escoamento de cargas.


No modal aquaviário, o governo federal também ampliou programas de incentivo à modernização e expansão portuária. Informações do Ministério de Portos e Aeroportos indicam foco na redução de gargalos operacionais, aumento de capacidade e melhoria da integração porto-hinterlândia, fatores essenciais para cadeias de suprimentos mais eficientes e competitivas.


Custos logísticos seguem no centro

 

Mesmo com avanços, o Brasil segue entre os países com maior custo logístico em proporção ao PIB. De acordo com estudos do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), com referência também em levantamentos do SETCERGS, a projeção para 2025 indicava custos logísticos em torno de 15,5% do PIB. Esse patamar elevado está diretamente relacionado a fatores estruturais do país, especialmente à forte dependência do modal rodoviário.


Segundo o ILOS, o transporte rodoviário responde por cerca de 62% da movimentação de cargas no país, o que torna o setor altamente sensível às variações no preço do combustível. Estimativas setoriais citadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e por análises publicadas em veículos especializados indicam que os custos associados ao combustível podem representar até 15% do preço final dos produtos, impactando diretamente o valor do frete e a competitividade das cadeias de suprimentos.


Transformação digital: de diferencial a necessidade

 

Com a pressão de custos persistente, a transformação digital deixa de ser diferencial competitivo e passa a ser uma necessidade operacional. De acordo com debates no Congresso ABOL e reportagens do Painel Logístico, os investimentos em tecnologia no mercado cresceram 58% entre 2020 e 2023, e a previsão é de que essa expansão chegue a cerca de 69% até 2026, segundo o vice-presidente de Inovação e Estratégia do Grupo FCamara.


Por isso, é fundamental que as empresas incorporem a transformação digital em seu planejamento estratégico, não apenas como uma iniciativa de inovação, mas como um pilar de eficiência operacional, redução de custos e sustentação do crescimento no médio e longo prazo.


Datas que mudam o cenário

 

Em anos eleitorais, a economia tende a operar sob maior cautela. A incerteza em relação a políticas públicas, cenário fiscal e condições de crédito faz com que empresas e investidores adiem decisões estratégicas, especialmente as de longo prazo. Como apontam análises do InfoMoney, esse contexto normalmente gera um ambiente de espera e observação, reduzindo o ritmo dos investimentos e da expansão dos negócios.


Apesar desse pano de fundo mais conservador, o comportamento do consumidor em 2025 mostrou sinais claros de aquecimento. Um levantamento da Fiserv revela um crescimento expressivo no volume de transações nas principais datas do varejo, criando uma base sólida de otimismo para 2026. Embora não existam projeções oficiais específicas por data para o próximo ano, a trajetória de crescimento observada em 2025 indica um cenário favorável para a continuidade desse movimento.


·      Natal: 567 milhões (2025) versus 405 milhões (2024)

·      Black Friday: 495 milhões (2025) versus 393,2 milhões (2024)

·      Dia das Crianças: 387,5 milhões (2025) versus 325,2 milhões (2024)

·      Dia dos Pais: 327 milhões (2025) versus 267,1 milhões (2024)

·      Dia das Mães: 325,3 milhões (2025) versus 234 milhões (2024)

·      

Esse movimento ganha ainda mais força com a chegada da Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá entre junho e julho. Além das datas tradicionais do varejo, o Mundial tende a criar um novo pico de demanda, especialmente em categorias como alimentos, bebidas, eletrônicos e serviços. Segundo a Data-Makers, 71% dos brasileiros afirmam que pretendem aumentar seus gastos durante o período, o que reforça a expectativa de um ciclo de consumo ainda mais intenso.


2026: riscos elevados, oportunidades reais

 

Para o setor logístico brasileiro, 2026 será um ano de transição e tomada de decisão. A reforma tributária reconfigura custos e incentivos, o cenário econômico exige cautela e o ambiente político adiciona incertezas.

Quem conseguir antecipar movimentos, ajustar sua estratégia, investir em eficiência operacional e usar a tecnologia como aliada estará mais bem posicionado para transformar um ano de riscos em vantagem competitiva.


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